DESRESPEITO PATRONAL COM O TRABALHADOR PARALISA NEGOCIAÇÃO SALARIAL 2014

Desrespeito patronal com o trabalhador paralisa negociação salarial 2014

“Os empresários exigem o máximo dos profissionais, mas não os valorizam”, afirmou Antonio Neto

A negociação salarial dos trabalhadores de TI foi paralisada na quarta rodada, realizada nesta sexta-feira (31). O acirramento dos ânimos foi motivado pela falta de respeito e pela demonstração cabal dos patrões de que não valorizam os profissionais, uma vez que os empresários se negam a dividir com os trabalhadores uma pequena parcela do lucro obtido no ano de 2013.

O patronal chegou a esboçar um pequeno avanço com relação à última rodada: reajuste do auxílio creche, que passaria para 40% do piso normativo para empregados com filhos de até 24 meses e 30% para trabalhadores com crianças de 24 meses e um dia até 60 meses; obrigatoriedade de apresentação de PLR para empresas com mais de 10 empregados; reajustes de 6,5% nos salários e 6,7% nos pisos da categoria.

Para piorar a situação, as empresas, em especial as que fazem parte da mesa de negociação, utilizam alegações estapafúrdias para justificar o tímido avanço das propostas e a falta de valorização de seus funcionários. Nesta rodada, o patronal disse que não poderia conceder aos profissionais de TI reajuste salarial maior e nem benefícios melhores para não prejudicar a manutenção dos empregos. Argumentação prontamente contestada pela mesa de negociação do Sindpd.

“Quando os próprios empresários apregoam que há um déficit de 70 mil a 120 mil trabalhadores no país, falar em manter emprego é uma total falta de respeito. Exigem o máximo dos funcionários, mas na hora de valorizá-los, de dar um reajuste digno, um benefício importante, não fazem. Basta! Não vamos permitir essa postura”, afirma o presidente do Sindpd, Antonio Neto.

O Sindpd fez uma contraproposta, levando em consideração os ganhos reais do setor em 2013 e as reivindicações e expectativas dos profissionais, buscando um acordo plausível e com conquistas efetivas para os trabalhadores. Entre as reivindicações está a licença maternidade de 180 dias, reconhecendo o apoio que as crianças necessitam durante o tão importante período de amamentação. Mas, a irredutibilidade da proposta feita pelo Seprosp resultou na suspensão das negociações.

O Sindpd já acionou sua assessoria jurídica para tratar do caso e fará uma reunião com a diretoria na próxima segunda-feira, 03 de fevereiro, para estudar os próximos passos. Também será convocada uma assembleia com a categoria para discutir quais medidas serão tomadas diante do impasse e da inflexibilidade dos empresários, que insistem em não dividir com os trabalhadores o bom momento do setor.

“Estamos vivendo uma situação muito semelhante a 2011, quando a categoria partiu para a greve e pavimentou o caminho para os principais avanços conquistados nos últimos dois anos. A única mudança que ocorreu neste período foi a integração e capacidade de mobilização do sindicato, fatores importantes numa situação de impasse como esta”, finaliza Neto.

Resumo da 4ª Rodada de negociação

Proposta Seprosp

  • Reajuste salarial de 6,5%;
  • 6,7% de reajuste nos pisos salariais;
  • Auxílio-creche no valor de 40% do piso normativo para empregados com filhos de até 24 meses e de 35% para trabalhadores com crianças com mais de 24 meses.
  • Vale-refeição (VR) de R$14 para empresas com mais de 50 empregados;
  • Obrigatoriedade de apresentação de proposta de participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) para empresas com mais de 10 empregados.

Contraproposta Sindpd

  • Reajuste salarial de 8,8%;
  • 10,3% de reajuste nos pisos salariais;
  • Vale-refeição (VR) de, no mínimo, R$16 para todos os trabalhadores de TI, sem desconto, além de reajuste da categoria nos VRs acima do valor proposto;
  • Licença maternidade de 180 dias;
  • Obrigatoriedade de apresentação de proposta de participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) para empresas com mais de 10 empregados, mas assegurar para 2015 a obrigatoriedade de todas as empresas de TI, independente do número de trabalhadores, apresentarem proposta. Também foi reivindicada a inclusão de um mecanismo jurídico para evitar o tipo de fraude em que o empresário divide a companhia em vários CNPJs para não cumprir a convenção coletiva.

Fonte: Sindpd

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